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MS precisaria ter 60% da população vacinada para volta da 'vida normal', dizem especialistas


Enquanto que em Mato Grosso do Sul e no Brasil vivemos um cenário crítico da pandemia, com recordes de mortes e internações, alguns locais do mundo já parecem estar voltando à vida 'normal'. Shows, dispensa do uso de máscara... parece sonho, mas já é realidade em países como Austrália e Nova Zelândia. Mas o que precisamos fazer para darmos um passo à frente na pandemia em vez de acumular mais mortes?


Para a infectologista e consultora da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) e COE (Centro de Operações de Emergência), Mariana Croda, é necessário ter ações coordenadas. "Principalmente uma coordenação nacional baseada em dados científicos, planejamento ancorado em perspectivas epidemiológicas e suporte social".


No Brasil, desde o início da pandemia, organizações internacionais criticam o governo Bolsonaro pela falta de ações e de agilidade na tomada de decisões para enfrentamento do vírus. Nesta semana, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, determinou que o Senado instaure uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar a responsabilidade do governo federal no combate à covid.


Enquanto não há políticas públicas mais claras e certeiras, a especialista alerta que os pilares para obter os melhores resultados no enfrentamento da pandemia são: "comunicação eficaz, vigilância com rastreamento e monitoramento e testagem, assistência à saúde acessível e de qualidade. Quanto às medidas de prevenção: distanciamento social, uso de máscaras e higienização das mãos", explicou Croda.


Organizações internacionais e pesquisadores sugerem que é necessário que a vacinação tenha alcançado ao menos 60% da população para começar a ter um controle da pandemia, segundo estimativas da OMS (Organização Mundial de Saúde). Porém, tudo depende da eficácia das vacinas e do tempo de proteção de cada imunizante, que varia conforme o laboratório.


Outro fator importante é que esse percentual seja alcançado de forma global e não localmente, ou seja: isso pode levar anos.


O calendário de shows e eventos na Nova Zelândia estão a todo vapor. Na Austrália, não há mais exigência do uso de máscara, graças ao rastreamento efetivo de contaminados. Mas o que esses países fizeram?


O primeiro ponto que precisamos entender é que ambas as nações são ilhas. O que facilita no bloqueio da entrada de pessoas de outros países que não estejam adotando medidas tão efetivas. Por exemplo, Mato Grosso do Sul tem fronteira com Bolívia e Paraguai, com circulação diária grande de pessoas entre os dois países. Isso facilita a circulação do vírus nessas áreas.


Além disso, esses países foram muito rígidos em relação às regras indicadas por especialistas para conter o vírus. Na Nova Zelândia, por exemplo, 460 pessoas foram condenadas por quebrar restrições da covid. Dessas, quase 20%, ou 85 pessoas, foram presas.


Exemplos no combate à pandemia, esses países adotaram lockdowns rigorosos e fronteiras fechadas. Somente no mês passado uma cooperação permite a 'bolha de viagem' entre a Nova Zelândia e Austrália.


As estimativas iniciais do Ministério da Saúde apontam que até o fim do ano, todos os brasileiros adultos (maiores de 18 anos) estejam vacinados

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