Palmeiras vence e derruba de vez o Cruzeiro


O oito de dezembro de 2019 será lembrado pelo Cruzeiro como um dia de dor e tristeza. O tetracampeão brasileiro está rebaixado para a Série B do Brasileiro.


Prestes a completar 99 anos, o clube sucumbiu frente a um ano que combinou escândalos extracampo e sequência de fiascos nas quatros linhas. O capítulo final desse drama foi a derrota para o Palmeiras, por 2 a 0, neste domingo, no Mineirão, pela rodada final do campeonato. Os gols palmeirenses foram marcados por Zé Rafael e Dudu.


Acabou o orgulho de ser um dos únicos do país a nunca ter caído. A inédita queda é explicada por uma soma de fatores que colaboraram para um dos dias mais tristes da história cruzeirense, o clube com mais títulos nacionais neste milênio - sete (quatro Brasileiros e três Copas do Brasil).


Os minutos finais no jogo deste domingo no Mineirão não foram apenas tensos. Foram de vandalismo, confusão. Torcedores revoltados começaram a quebrar cadeiras. Houve corre-corre, tentativa de invasão de campo. O jogo foi paralisado aos 40 minutos da etapa final. O ambiente ficou pesado. Bombas foram jogadas nas arquibancadas. Um torcedor saiu carregado, aparentemente machucado. Outro foi atendido na arquibancada. Houve invasões em alguns setores. A Polícia Militar precisou intervir. Sem condições de segurança, o árbitro Marcelo de Lima Henrique encerrou a partida. A administração do Mineirão publicou mensagens no telão solicitando para que os torcedores evacuassem o estádio.


A queda cruzeirense tem muito a ver com a má gestão atual, de Wagner Pires de Sá, mas gestões passadas também têm boa parcela de responsabilidade. O Cruzeiro vem acumulando déficits anuais desde 2011. Levou dois Brasileiros (em 2013 e 2014), mas com gastos astronômicos e com dívidas que foram sendo acumuladas. O valor da venda de jogadores já não ia completamente para o caixa cruzeirense.

Com a desmontagem do elenco bicampeão, vieram as contratações de reposição, o fracasso nelas e também as dívidas. Muitos desses débitos foram parar na Fifa. O clube chegou aos R$ 100 milhões de dívidas e ainda é parte em vários processos. Nem os dois títulos da milionária Copa do Brasil (2017 e 2018) foram suficientes para deixar o momento financeiro mais tranquilo.


O último balanço cruzeirense mostrou uma dívida total de mais de meio bilhão de reais. Na coletiva de imprensa, após a queda, Zezé Perrella afirmou que hoje já chega aos R$ 700 milhões. O balanço passado sequer passou pelo crivo do Conselho Fiscal, que também se diluiu no início da crise. O Cruzeiro tentou um empréstimo de cerca de R$ 295 milhões com um fundo inglês, mas tudo caiu por terra quando veio à tona as denúncias de irregularidades divulgadas pelo Grupo Globo.

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