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Preço do trigo dispara e vai deixar o pãozinho mais caro em MS


A guerra entre Rússia e Ucrânia vai começar a respingar em Mato Grosso do Sul a partir da próxima semana. E será dentro das padarias e supermercados com a disparada do preço do trigo. Em Campo Grande, donos de padarias já estão avisando aos clientes que tudo o que for proveniente do trigo vai sofrer um reajuste gordo, inclusive o pãozinho, mas


o preço final das massas ainda é um mistério porque vai depender de quanto estará custando a matéria-prima.


Em todo o mundo e desde o início da guerra, preço do trigo já se elevou 46,25%, segundo informações da Bolsa de Valores de Chicago, nos Estados Unidos. Só esta semana, o valor do bushel – medida equivalente a 27,2 kg – bateu o recorde histórico de US$ 12,94 por pura pressão da guerra no leste europeu, que, por enquanto, dá sinais de que vai demorar a acabar. No Brasil, precisamente no interior do Rio Grande do Sul, a tonelada do grão chegou ao valor de R$ 1.960 – uma alta de 26% em apenas uma semana.


A Abras – Associação Brasileira de Supermercados – dá indícios que não vai conseguir segurar o preço dos produtos em todos os Estados do País. Já há relatos de supermercadistas apontando que o preço da farinha de trigo ficará, pelo menos, 15% mais cara. O pior é a tendência de alta dos preços nesta mesma magnitude para as próximas semanas. No caso do óleo de soja, outro produto que é influenciado pelo trigo, o preço da indústria teria sido remarcado em cerca de 20% em uma semana. Fora isso, o “pão” de cada dia, biscoitos, macarrão e todos os tipos de massas passarão por reajustes de preços.


Só nestes últimos dois dias, preço do trigo na Bolsa de Chicago apresentou alta de 7,54%, com o bushel (27,2 quilos) negociado a US$ 9,98 nos contratos para maio, maior patamar desde 2008. Quem ainda desconfia que a globalização é um exagero, Ucrânia e Rússia exportam cerca de 30% do trigo no mundo. O caso do Brasil é diferente: o País produz 8 milhões de toneladas por ano, mas consome quase o dobro. A maior parte das importações - 85% - são provenientes da Argentina e, em casos de emergência, do Canadá.


O maior problema está relacionado ao que o mercado financeiro chama de impacto global, que é uma espécie de tsunami, ou seja, o causador da pressão sobre os preços para todos os compradores. O Brasil é um dos maiores importadores globais de trigo, tendo de buscar em outros países 60% do que consome, de acordo com a Abitrigo (Associação Brasileira das Indústrias de Trigo). A previsão é que, neste ano, os embarques rumo ao Brasil cheguem a 6,5 milhões de toneladas, no mínimo.


A Abitrigo projeta que os preços continuem em alta nos próximos quatro ou cinco meses, em um cenário de aumento já registrado antes do início dos conflitos no este europeu. Segundo Rubens Barbosa, presidente da Abitrigo, por meio de nota oficial, “a evolução dos preços dependerá da extensão da guerra”. A Rússia é o primeiro exportador mundial, enquanto a Ucrânia ocupa o quarto posto. Além do aumento do trigo propriamente dito, outros fatores podem provocar a alta nas cotações em reais, como o dólar e a incerteza em relação aos fertilizantes, dos quais o Brasil é altamente dependente de importações.


Donos de padarias em Campo Grande já começaram a avisar aos seus clientes que não se espantem na próxima semana. A razão é simples: o preço não vai apenas se elevar, vai explodir porque os repasses chegarão ao consumidor final. O pequeno empresário Rodrigo César Oliveira, 40, foi enfático ao afirmar que só semana passada o aumento foi de 10%. Ele comprou grande quantidade de trigo e conseguiu segurar o preço, mas agora vai comprar a matéria-prima mais cara.


Para Rodrigo Oliveira, é bom as pessoas se prepararem porque os preços vão subir de forma significativa em tudo o que vier do trigo. “Se continuar assim, vai chegar um tempo em que os aumentos serão semanais”, lamenta Rodrigo. O também dono de padaria Clayton Lemes, 36, proprietário de padaria, deixou claro que já está comprando tudo 30% mais caro. “No meu caso, que compro o pão congelado, já senti a diferença”, acrescenta. Já a cabeleireira Rayla Assis confirmou o que os donos de padarias disseram: “ainda não vi diferença nos preços, mas acredito que poderá haver aumentos”.

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